Arquivos - Página 2

  • As mulheres no arquivo da tradição judaica
    v. 7 n. 12 (2013)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    O número 12 da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG tem como tema de seu dossiê “As mulheres no arquivo da tradição judaica”. Apresentamos aqui importantes artigos sobre as mulheres no Brasil Colonial, sob o cetro da Inquisição e do Santo Ofício; na Shoah, um estudo fundamental sobre a poetiza Ilse Weber; sobre a arte, o trabalho instigante de Sigalit Landau; bem como sobre a escrita e a reescritura da Bíblia de Clarice Lispector; além de reflexões sobre personagens femininas na Bíblia e um estudo sobre a condição da memória e da identidade judaica a partir do tango.

  • Dossiê Moacyr Scliar
    v. 6 n. 11 (2012)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    Este número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG é dedicado a Moacyr Scliar (1936-2011). Autor de quase uma centena de livros, sua obra, que foi traduzida para cerca de 15 línguas, configura-se como um mosaico em que o Brasil, o exercício da medicina e a tradição judaica contribuem não só para evidenciar a rica cultura literária brasileira, mas também, é uma referência importante e internacional dos estudos judaicos brasileiros. Scliar foi mais do que um contador de histórias, mas ele as sabia contar como ninguém. O centauro no jardim, A estranha nação de Rafael Mendes, A mulher que escreveu a Bíblia e Os vendilhões do templo são apenas algumas das muitas e magistrais histórias contadas por ele. O exercício da reescrita e da ironia é, em Scliar, uma marca indelével. O arquivo da tradição judaica acessado pelo escritor é especialmente instigante. “As pragas”,  “As ursas” e “Balada do falso Messias”, além de outros tantos contos de inspiração bíblica, inscrevem o escritor numa longa tradição de exímios contistas que revisitam, pela ficção, as Sagradas Escrituras. Mestre da narrativa breve, como o conto e a crônica, os textos de Scliar frequentaram também os jornais, o cinema, o teatro. Múltiplo e incansável, proferiu aulas e conferências; participou de conversas com outros escritores e, principalmente, com seus inúmeros leitores. Nesse dossiê, trazemos à luz artigos de importantes críticos sobre a obra de Scliar. Também artigos fundamentais sobre Judaísmo, tema caro a obra do escritor, aparecem nesse número. Nosso desejo é que a letra e a voz de Moacyr Scliar reverberem na leitura desses textos, bem como de sua obra.

  • Detalhe de "Abraão e Sara", de Vlad Eugen Poenaru

    Ética e estética no arquivo da literatura judaica
    v. 6 n. 10 (2012)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    Enquanto a estética parece apontar para uma dimensão plural da obra de arte e da literatura, como uma espécie de liberdade infinita e ilimitada, a ética tende a submeter a criação artística a uma reflexão filosófica sobre a moral e o direito. Nesse sentido, este número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG pretende refletir sobre quais seriam as possibilidades de articulação do belo e do sublime, em suas múltiplas nuances, com a ética, bem como sobre os desafios que a literatura, na contemporaneidade, teria nos tênues limites entre ética e estética. A literatura judaica ao tratar de temas caros tanto à ética quanto as preocupações estéticas possibilita uma reflexão importante sobre esse debate na contemporaneidade. A literatura israelense e da diáspora, por exemplo, com sua representação sobre guerra e violência; o desdobramento dos testemunhos e memórias sobre a Shoah, em narrativas ficcionais; as várias faces do feminino e da infância, bem como as relações, na maioria das vezes tensas, entre o sagrado e o profano também tornam esse debate mais instigante e importante. Como se dá, por exemplo, o humor, a ironia e a sátira em narrativas sobre a Shoah? Como a literatura de imigração, as memórias e as biografias se articulariam com a dimensão ética da literatura judaica? Quais seriam os limites a serem preservados e quais aqueles que devem ser transgredidos? Como se articulariam as vozes da mulher e da infância em narrativas em que a ética e a estética estejam sendo construídas em espaços limítrofes? Essas e outras questões do universo literário judaico são objeto de discussão neste número.

  • Detalhe de "Voo", de Vlad Eugen Poenaru

    Arquivo sefardi e ídiche de literatura e outras artes
    v. 5 n. 9 (2011)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    Este número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG pretende dar visibilidade à inúmeras manifestações da cultura ídiche e sefardi na literatura e em outras artes. A produção literária e artística judaica constitui, não resta dúvida, um dos acervos mais importantes da cultura ocidental. Escritores ídiches, com seu humor peculiar, suas personagens marcantes, bem como sua forma singular de retratar o schtetl – a vilazinha judaica, com seus usos e costumes, sua melancólica miséria, de acordo com a feliz definição de Moacyr Scliar; o impacto do nazismo sobre esse mundo que quase se perde na Segunda Guerra Mundial; a força dos artistas que sobrevivem a esse mal, suas interrogações a partir da literatura, do cinema e das artes em geral devem ser iluminadas com artigos, resenhas, contos e poemas, que deixem vislumbrar a resistência, a multiplicidade e a importância dessa expressão judaica no Ocidente. A produção sefardi, com sua rica poesia e sua sofisticada filosofia, reflexões sobre a vida judaica e suas relações com outras culturas na Espanha, Portugal, Grécia e África também foram aqui contempladas. Além disso, houve oportunidade para se tratar da Inquisição e suas reverberações na produção artística judaica, em geral, e nas Américas e no Brasil, especificamente.

  • Detalhe de "Sião", de Vlad Eugen Poenaru.

    Arquivo latino-americano de literatura e de arte judaica
    v. 5 n. 8 (2011)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    O arquivo latino-americano de literatura e de arte judaica apresenta-se como um concerto de múltiplas vozes que, para além da imigração, muitas vezes forçada pela intolerância religiosa, política e étnica, constitui uma condição identitária híbrida que potencializa a expressão. Temas importantes como o exílio, a herança bíblica e a shoah são recorrentes nesse acervo. Dos importantes escritores argentinos, como Alberto Gerchunoff, considerado o pai da literatura de imigração judaica na América e seus "gaúchos judíos"; o poeta Juan Gelman, de origem askenazi, que escreveu, em judeu espanhol, vários poemas que foram magistralmente musicados em Una mano tumó l´otra; "O gueto", da poetiza Tamara Kamenszain; "a saga do marrano", de Marcos Aguinis; a obra de Gabriela Avigur-Rotem. Escritores não judeus encontraram, ainda, na cultura, religião e tradição judaicas, metáforas, signos, formas de expressão que alcançaram, na literatura, a máxima expressão, como o conto "O Aleph", de Jorge Luis Borges, por exemplo. No Brasil, os escritores descendentes de imigrantes judeus, como na caracterização de Regina Igel, não são poucos expressivos: Antonio José da Silva, o judeu; Samuel Benchimol, que narra a saga dos judeus no norte do país; Clara Steinberg; Hersch Schwartz; Meir Kucinski; Rosa Palatnik; Adolpho Kishinievski; Baruch Schulman; Abraão Brener; Marcos Jacobovitch; Chaim Rapaport; Isaac Raizman; Leib Malach; Itzkchak Guterman e Josif Landa, que escreveram em ídiche; além da contundência da escritura de Samuel Rawet; da ironia e humor de Jacó Guinsburg; da diversidade da pena de Moacyr Scliar; passando pelas muitas macabeas, de Clarice Lispector; bem como da escrita inteligente e refinada de Cíntia Moscovich; dos livros infanto-juvenis de Tatiana Belinki; da crônica do cotidiano de Eliezer Levin e Samuel Malamud; só para citar alguns. Vale também lembrar, a presença judaica em inúmeras obras de escritores não judeus, como em Machado de Assis, Gonçalves Dias, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e Vinícius de Moraes. A expressão judaica nas artes plásticas, na música, no teatro e no cinema são, também, incontáveis: o uruguaio Jorge Drexter, com seu "pianista do gueto de Varsóvia"; a ilustradora brasileira Renina Katz; Carlos Scliar; o teatro ídiche, principalmente de São Paulo; além das obras de Sergio Fingermann; Anna Bella Geiger; Luise Weiss; e Leila Danziger.

  • Detalhe de "Mundo louco", de Vlad Eugen Poenaru.

    Arquivos do exílio: geografias da dispersão
    v. 4 n. 7 (2010)

    APRESENTAÇÃO

    Lyslei Nascimento 

    Exílios e diásporas constituem, juntamente com a memória, as experiências fundamentais da história judaica. Este número da Arquivo Maaravi tem como tema o exílio, suas geografias e suas memórias literárias, históricas, artísticas. Ricardo Forster em El exílio de la palabra, afirma que a pátria judaica sempre está em outro lugar, assim, os artigos aqui apresentados tratam dos fragmentos dispersos da memória judaica que foram espalhados pelo mundo e que tem alimentado a cultura do Ocidente. “Errantes por definição, viajantes infatigáveis, construtores de caravanas intermináveis que foram abrindo o horizonte, vivemos na perplexidade de um cosmopolitismo que, cedo ou tarde, parece voltar-se conta nós; como se essa errância, essa condição diaspórica, encerrasse a maravilha do descobrimento, da mistura de línguas e culturas”, mas também o medo e o ódio daqueles a que consideramos nossos vizinhos, afirma Forster. Por sobre a comunidade judaica, seja ela na Diáspora ou em Israel, pairaria, segundo o crítico, uma imagem estranha que espelharia o indecifrável e, por vezes, o demoníaco, oriundo do medo e do ódio ao judeu. Os artigos deste número apresentam, portanto, uma reflexão crítica sobre a sempre complexa condição em que os judeus se encontram como os Outros, falantes de uma língua imemorial e labiríntica que recria incessantemente a sua identidade, ou identidades. Conformados a partir do seu próprio itinerário, a literatura e a arte judaica, ou que a elas se referem, deverão proporcionar uma reflexão sobre as marcas dos passos dados pelos judeus desde que Abraão iniciou a marcha e o exílio.

  • Detalhe de "Terra", de Vlad Eugen Poenaru.

    Arquivos Israel: literatura, arte, cinema
    v. 4 n. 6 (2010)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    "Belo como um leão ao meio-dia". Em vários poemas, contos e conferências, Jorge Luís Borges reitera sua admiração ao Estado israelense. No célebre poema "Israel, 1969", vaticina o destino heróico do novo cidadão judeu em plena Guerra dos Seis Dias: "Serás um israelense, serás um soldado. Edificarás a pátria com lodaçais e a erguerás com desertos. Trabalhará contigo teu irmão, cujo rosto não viste nunca. Uma única coisa te prometemos: teu posto na batalha." Após 60 anos da Independência de Israel, o país inspira escritores e artistas de todo o mundo. Forjada sobre uma antiga tradição, a nação floresce em meio a intrincadas e complexas relações políticas e religiosas. As transformações rápidas e intensas podem ser demarcadas, em um primeiro momento, no período pioneiro, na guerra da independência; depois, na construção do Estado, nas guerras e na imigração. Novos desafios são gerados e superados a partir dessas circunstâncias que provocam uma inquietação constante, fermentando um farto e rico material para a produção literária, artística e cinematográfica. A poesia e a prosa de Israel ou sobre Israel nutrem-se de temas e imagens que vão da Bíblia a outras fontes da tradição judaica como o Talmud, passando pelo legado e da contribuição dos judeus da diáspora, asquenazitas e sefarditas, bem como pela linguagem e ritmo coloquiais, do dia a dia do Israel atual. As artes israelenses, desde o início do século 20, demonstram uma orientação criativa e multicultural, influenciada pelo encontro entre o oriente e o ocidente. A terra e seu desenvolvimento, suas cidades antigas e modernas e tendências estilísticas oriundas dos centros artísticos fora de Israel mesclam-se num mosaico de culturas judaicas e nacionais – seus cidadãos nativos ou oriundos de um sem número de países, falam um sem número de línguas, do hebraico ao alemão, do português ao chinês, do árabe ao iídiche. A paisagem, tanto geográfica quanto culturalmente diversificada e multiétnica do país, exibe-se na pintura, na escultura, na fotografia. O cinema israelense passou por grandes transformações desde os seus primórdios, nos anos 1950. As primeiras películas produzidas e dirigidas por israelenses possuem uma tendência ao heróico, que também marcou a literatura da época. Hoje, os filmes procuram retratar a vida cotidiana em Israel; o destino dos sobreviventes do Holocausto e de seus filhos; as dificuldades dos novos imigrantes; e o conflito árabe-israelense. O sexto número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG não se deterá, apenas, à formação de Israel e suas batalhas, entre os lodaçais e os desertos, mas pretende, também, abordar questões contemporâneas nos principais campos de batalha da atualidade: na literatura, na arte e no cinema.

    Dedicatória

    Helena Lewin nasceu no Rio de Janeiro. é socióloga, com graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (1981). Atualmente é Professora Colaboradora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, da Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Mulher e da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro. Responsável pelo Programa de Estudos Judaicos da UERJ, organizou e liderou várias edições do Encontro Brasileiro de Estudos Judaicos, no Rio de Janeiro. Organizou e publicou inúmeros livros, artigos e ensaios no Brasil e no exterior. Entre eles: Judaísmo: memória e identidade; Judaísmo e modernidade: suas múltiplas inter-relações; Identidade e cidadania: como se expressa o judaísmo brasileiro.

  • Detalhe de "Carpinteiro", de Vlad Eugen Poenaru.

    Crimes, pecados e monstruosidades no arquivo da tradição judaica
    v. 3 n. 5 (2009)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    Desde a Bíblia, literal ou simbolicamente, histórias de crimes, pecados e monstruosidades permeiam não só a tradição judaica, mas também de toda a humanidade. Essas histórias surgem com o homem e os acompanham através dos tempos como uma força sinistra. Porém, em meio a essas histórias, produziram-se leis, tratados, literatura e arte que, em contraponto, elaboraram o mal neles contido, dando-lhes um desdobramento crítico ou artístico. Do Éden ao divã, esses relatos povoam nossa imaginação e constituem mitos fundacionais não só religiosos, mas, principalmente, criadores de livros, filmes e músicas que se beneficiaram, sobremaneira, do que o crime, o pecado e a monstruosidade puderam, e podem, produzir de medo, horror e glória. No contexto da tradição judaica, que não é só bíblica ou talmúdica, originou-se um imaginário em que situações-limite transformam crimes em pecados, e estes em monstruosidades. No cadinho do artista, do escritor, do psicanalista ou do religioso, interpretações, outras narrativas, são pungentemente delineadas.  A queda do homem e suas consequências; o assassinato de Abel por Caim e a fundação da primeira cidade; a inveja, a escravidão e o incesto; toda sorte de crimes sexuais e barbáries tiveram, na Escritura, o estatuto de pecado. Este, por sua vez, adquiriu de forma extravagante, em muitas ocasiões, conotações de monstruosidades. O assassinato das crianças pelo enlouquecido faraó do Egito ou a premeditação e a cegueira de Davi, em suas ações, diante do desejo por Betsabá são exemplares dessa interrelação entre crime, pecado e monstruosidade. Profetas, reis, salmistas, e, mais tarde, escritores e artistas, conceberam relatos cheios de paixão, ódio, amor e, por que não dizer, humanidade. Poemas de dor, romances de paixão, filmes de horror e medo fazem retumbar, em nossas consciências, muito do que foi cunhado a partir dessas narrativas fundacionais. Evidentemente, não é só a Bíblia e o Talmude que dão suporte à tradição judaica. Neste número, a Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG apresenta leituras críticas do teatro ídish, dos monstros judaicos de Borges, da figura do Diabo no contexto da Patrística e outros excelentes artigos que perfazem uma concepção viva, contemporânea, da tradição judaica, apontando, sempre, para sua constante reescritura. 

    Dedicatória 

    Este número da Arquivo Maaravi é dedicado a Boris Schanaiderman, o mais ilustre tradutor e intérprete da literatura russa no Brasil. Professor, ensaísta e escritor que traduziu Dostoievski, Tchekhov, Tolstoi, Gorki, Pushkin, Maiakovski, entre tantos escritores fundamentais para a língua portuguesa nasceu em Úman, na Ucrânia, em 1917, e depois foi, com a família residir em Odessa, onde presenciou as filmagens da clássica cena da escadaria, do filme O encouraçado Potemkim, de Eisenstein. Aos oito anos veio com os pais para o Brasil e, em 1941, naturalizou-se brasileiro. Lutou na Segunda Guerra Mundial, na Força Expedicionária Brasileira, FEB, experiência que ele relata, ficcionalmente, no romanceGuerra em surdina, de 1964. Schanaiderman começou a traduzir autores russos em 1944 e a colaborar na imprensa brasileira a partir de 1957. Agrônomo e, apesar de não ter estudado Letras, foi escolhido para iniciar o curso de Língua e Literatura Russa da Universidade de São Paulo, em 1960. Devido ao modo como a cultura russa era vista no período da ditadura militar no Brasil, e a suas posições frente à repressão, além de ter passaporte soviético, foi preso em sala de aula. Escreveu importantes ensaios como Dostoiévski prosa poesia(Perspectiva, 1982) e Turbilhão e semente: ensaios sobre Dostoiévski e Bakhtin (Livraria Duas Cidades, 1983). Recebeu o prêmio Jabuti pela tradução da obra de Pushkin A dama de espadas(Editora 34, 1999), que realizou em parceria com Nelson Ascher. Em 2007, foi agraciado pelo governo da Rússia com a Medalha Pushkin, em reconhecimento por sua contribuição na divulgação da cultura russa no exterior.

  • Detalhe de "Gueto", de Vlad Eugen Poenaru.

    Humor: o riso, a ironia e a controvérsia no arquivo da cultura judaica
    v. 3 n. 4 (2009)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    A Torah e o Talmude são apontados por vários estudiosos como uma das fontes mais importantes do humor judaico. Enquanto esses textos religiosos intentavam corrigir o vício e a insensatez, usando para isso a ironia, o sarcasmo e o jogo de palavras, o humor que tem sua origem na Europa nasce num contexto de perseguições aos judeus. Também fazem parte desse contexto adverso as imigrações forçadas pelas péssimas condições de vida e por embates culturais que, mais do que marcar as diferenças, apontam para a condição única do ser humano com seus reveses e alegrias. Surge, assim, na Europa judaica, um humor cheio de leveza, ingenuidade e ternura, com forte pendor democrático e social, que vai aportar, com os imigrantes, nas Américas. O Chassidismo, a Cabala iluminam, com este traço, a literatura e as artes: um humor que produz autorreflexão, diálogo e debate, não só com a própria tradição, mas com a cultura e a tradição alheias. Este número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG objetiva, através deste dossiê, a partir de olhares contemporâneos, contribuir para uma reflexão para o nosso tempo, sobre essa capacidade de rir de si mesmo, sobrepujando, pela leveza, as agruras e as adversidades.

    Dedicatória

    Nancy Rozenchan nasceu em São Paulo. Graduou-se em Letras: Línguas Orientais (Hebraico) pela Universidade de São Paulo; obteve os títulos de Mestre e Doutora em Letras: Teoria Literária e Literatura Comparada, também pela USP. Em 1990 conclui o Pós-Doutorado na USP e, em 1995, realizou seu segundo Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia. Tornou-se, nesse mesmo ano, Livre Docente pela USP, onde atua como Professora Colaboradora. Orientadora de Mestrado e Doutorado; Membro do corpo editorial de periódicos importantes, desenvolve pesquisas na área de Literatura Hebraica, Feminina e Israelense. Ensaísta, publicou inúmeros artigos e, como tradutora, verteu para a língua portuguesa obras fundamentais da literatura israelense e mundial como Ver: amor, de David Grossman; A mulher de Jerusalém, de A. B. Yehoshua; Os desaparecidos, de Daniel Mendelsohn; A trombeta envergonhada, de Haim Nahman; Passado contínuo, de Yaakov Shbtai; O monstro na escuridão, de Uri Orlev; Conhecer uma mulher e A caixa-preta, de Amós Oz; Adam, filho de cão, de Yoham Kaniuk, entre outros.

  • Detalhe de "Rabi Low", de Vlad Eugen Poenaru

    Kabalah: o estranho, o mágico e o maravilhoso no arquivo cultural judaico
    v. 2 n. 3 (2008)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    O estranho e o mágico sempre fizeram parte do universo judaico. A Bíblia e sua incontável coleção de relatos trazem, em seu acervo, mitos e lendas que, alegoricamente, compõem um corpus da ordem do maravilhoso. Da torre de Babel ao gigante Golias, passando pela carruagem de fogo de Elias e os milagres atribuídos à divindade a partir da ação dos profetas, esse imaginário gera inúmeras interpretações. Com um duplo suplementar, no entanto, um corpus de lendas, mitos e supertições trouxe para a tradição judaica, principalmente com o advento do Hassidismo, personagens como o Golem, a Lilith, o Dibuk. O mundo em que esses seres imaginários vivem é o do misticismo judaico, da Cabala. A literatura, a partir das correntes da mística judaica, beneficiou-se, sobremaneira, desse imaginário. O objetivo deste dossiê é reunir artigos contemporâneos sobre a inscrição desse misticismo, gerador de estranhos, mágicos e maravilhosos acontecimentos e personagens, além de refletir sobre seu advento na cultura judaica.

    Dedicatória

    Em 12 de fevereiro de 1936, o casal Egon (1910-1981) e Frieda Wolff (1911-2008) desembarcou no Brasil, no porto de Santos, fugindo do nazismo. Ambos, egressos da Universidade de Berlim, instalaram-se em São Paulo, onde trabalharam no comércio. Mais tarde, mudaram-se para o Rio de Janeiro. Nessa cidade, Egon Wolff foi presidente do Hospital Israelita. A partir de 1960, a curiosidade sobre a imigração dos judeus para o Brasil e a falta de respostas a inúmeras perguntas levaram o casal a se dedicar à pesquisa de forma apaixonada e incansável. A Biblioteca Nacional e o Arquivo Nacional foram seus arquivos prediletos, mas eles, também percorreram cemitérios por todo o país, registrando e resgatando do esquecimento datas, genealogias, nomes. Entrevistaram centenas de pessoas e escreveram milhares de páginas sobre os judeus no Brasil. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, reconhecendo a importância desse trabalho, convidou os Wolff a se associar à entidade. Frieda e Egon escreveram 44 livros, incluindo Quantos judeus estiveram no Brasil holandês e sete dicionários biográficos. A eles - pelo que representam de inspiração e amor aos estudos e de conhecimento, à dedicação à História e à memória judaica - nossa homenagem.

  • Detalhe de "Escrita", de Vlad Eugen Poenaru

    Torah: arquivos multidisciplinares da escritura
    v. 2 n. 2 (2008)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    Consciente e inspirado por um profundo sentimento de herança nacional, Israel têm se empenhado em preservar e reintroduzir, no seu território, a vida vegetal e animal existente em tempos bíblicos. Muitas espécies desapareceram da região ou estão em vias de extinção. Neot Kedumim, uma reserva paisagística situada no centro do país, dedica-se a colecionar e conservar variedades vegetais mencionadas na Torah e ainda existentes. Essa reserva criou jardins com flora nativa de várias áreas geográficas de Israel, tendo como objetivo a recomposição dessa flora dos tempos antigos. Os projetos Hai Bar de fauna selvagem, em Aravá e no Monte Carmel, foram criados para reinserir, em seu habitat natural, espécies animais que, antigamente, proliferavam nas colinas e nos desertos israelis. Biólogos israelenses especializados em vida animal selvagem correm o mundo em busca desses animais que, uma vez localizados, são levados às reservas, onde aprendem a se adaptar ao ambiente e, em seguida, são postos em liberdade. Antes, porém, de irem a campo, em busca dessas espécies, os cientistas israelenses se debruçam sobre a Torah. A possibilidade de recompor esse "território" por meio das Escrituras transforma o Livro em um arquivo, não só da religião, da cultura, da ética e da filosofia judaicas, como também de sua ecologia, de seu eco-sistema. Desse modo, o Livro, que garante a "terra da promissão", também garante sua perenidade existencial. Nosso objetivo, neste segundo número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG, é refletir sobre o estatuto de "arquivo" da Torah, observando suas peculiaridades, suas possibilidades de inscrição na contemporaneidade, sua importância e tradução para nosso dias.

    DEDICATÓRIA

    Este segundo número da Arquivo Maaravi é dedicado ao Professor Jacó Guinsburg. Nascido na Bessarábia, em 1921, Jaco Guinsburg imigrou para o Brasil por volta de 1924. É tradutor de Diderot, Lessing, Nietzsche e outros tantos escritores. Como ensaísta, publicou Stanislávski e o teatro de arte de Moscou; Leoni de’Sommi: um judeu no teatro da renascença italiana; Diálogos sobre teatro; Aventuras de uma língua errante: ensaios de literatura e teatro ídiche, de 1996, (o mais importante estudo crítico sobre a língua e a literatura ídiche publicado na América Latina); Stanislávski, Meierhold e Cia.; Da Cena em cena, entre outros títulos. Professor de Estética Teatral e Teoria do Teatro da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde é Professor Emérito, desde 2001. Seu trabalho de ficção mais recente, O que aconteceu, aconteceu, publicado em 2000, tematiza, entre outros elementos, a vida judaica dos imigrantes judeus no Brasil. Fundador e editor da Editora Perspectiva, Jacó Guinsburg destaca-se no cenário brasileiro como um dos seus mais brilhantes intelectuais.

  • Detalhe de "Meu diário", de Vlad Eugen Poenaru.

    Shoah: arquivos do bem, arquivos do mal
    v. 1 n. 1 (2007)

    Apresentação

    Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

    No Brasil, segundo recente pesquisa, 96% da população desconhece o significado da palavra "Holocausto". Negacionistas e revisionistas têm encontrado, assim, um solo fértil para a disseminação de suas idéias. Uma vasta literatura de desinformação, que já chegou ao cinema, ao vídeo e à Internet, tem sido produzida e disseminada. Velhos pesquisadores nostálgicos do nazismo e jovens militantes neonazistas trabalham, há décadas, na construção de uma maciça propaganda intitulada revisionimos". Uma exposição de "caricaturas do Holocausto" (que teve, com caricaturistas brasileiros, o terceiro lugar em número de colaborações) além de um Congresso Mundial de Revisionistas, em pleno século 21, reeditam campanhas de intolerância e racismo. Desse modo, filmes, romances, contos e caricaturas revisionistas ou negacionistas, em todas as mídias, compõem um "arquivo do mal" destinado a desconstruir testemunhos, biografias, depoimentos, fotografias e todos os estudos empreendidos pós-Shoah. Nosso objetivo é, pois, neste dossiê, refletir sobre a literatura, o cinema e as artes em geral, produzidos sobre a Shoah, contrapondo-a ao mal que os nossos tempos ainda insistem em deixar proliferar.

    Dedicatória 

    David Bankier nasceu na Alemanha, em 1947. Formou-se na Hebrew University of Jerusalem, onde obteve seu doutorado em História Judaica. Atualmente é Professor do Solomon and Victoria Cohen Institut da Hebrew University, Diretor da área de Estudos sobre Anti-Semitismo e Holocausto no Institute for Contemporary Jewry e Diretor do Instituto de Pesquisa sobre o Holocausto do Yad Vashem, em Israel. Sua tese de doutorado versou sobre a sociedade alemã, o nazismo e o anti-semitismo de 1933 a 1938. Desenvolve pesquisas sobre a relação entre judeus e não-judeus na Europa sob ocupação; a propaganda e a mobilização política durante a II Guerra; a emigração de judeus para a Alemanha e a reabilitação da vida comunitária judaica na América Latina. Autor, entre outros títulos, de: The German's and the Final Solution: public opinion under nazism; Secret intelligence and the Holocaust; The jews is comming back: the return of the jews to their countries of origin after WWII; Probing the Depths of German Antisemitism: German Society and the Persecution of the Jews, 1933-1941; Fragen zum Holocaust: Interviews mit prominenten Forschern und Denkern; El sionismo y la cuestión palestina; La emancipación judía; El Holocausto: perpetradores, víctimas, testigos. 

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