v. 12 n. 22 (2018): Ler e escrever na cultura e na tradição judaica

Apresentação

Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

A Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG, n. 22, recebeu, neste dossiê, artigos que refletem, de forma multi e transdisciplinar, sobre a leitura e a escrita na cultura e na tradição judaicas. Analisando textos bíblicos e literários, cinematográficos e fotográficos, ensaístas do Brasil, de Israel, da Alemanha e de Portugal, avaliam, neste número, a obra de escritores e artistas que colocam em cena o grande legado judaico para a cultura ocidental: a interpretação. Nesse sentido, a tecnologia, humana por excelência, de ler e escrever é estudada e o que temos, aqui, é um delineamento dessas duas faces de uma produção humana. Lendo o Eclesiastes, por exemplo, Abraham Ofir Shemesh, estuda a crença de que informações ocultas eram transferidas das aves para os seres humanos; André Melo Mendes lê a tradição do retrato pelas lentes de Annie Leibovitz; Corinna Deppner percorre caminhos sefarditas no romance de Moacyr Scliar; Daniela Guertzenstein analisa as cores nos textos bíblico à luz da literatura judaica rabínica; Dionei Mathias avalia conflitos relacionados ao processo de imigração e à sua redefinição em novos contextos culturais; Gisélle Razera analisa a representação de matriarcas em Virgínia Woolf e em Elisa Lispector; Jefferson Barbosa identifica, em Franz Kafka, uma intersecção entre a crise da tradição, levantada por Walter Benjamin e Gershom Scholem, e a textualização da verdade que se depreende das práticas exegéticas na tradição mística do judaísmo; Lucas Martins investiga o exílio babilônico e sua influência na linguagem da literatura profética, principalmente, em Jeremias; Luciane Fernandes reflete sobre ler o mundo, escrever um poema e fazer um desenho a partir da produção artística de crianças do campo de concentração de Terezín; Nancy Rozenchan revela as relações entre parábola e apólogo em um conto de Shelly Oria e Nelly Reifler; Gilmei Fleck e Nilton Ferreira estudam o trovadorismo na contemporaneidade como uma expressão medieval em canções populares sefarditas; Jorge Alves Santana analisa, na obra da poetisa israelense Dahlia Ravikovitch, as relações israelo-palestinas; Rafael Silva estuda a obra de Jacques Derrida e os desafios e potencialidades da escrita na contemporaneidade; Rafaela Sanches avalia a representação de judeus na imprensa fluminense em meados do século XIX e o romance histórico As minas de prata, de José de Alencar; Rodrigo Bittencourt avalia que a ausência de pactos demoníacos na Bíblia Hebraica, recorrente na literatura, está longe de ser ali endossada. Uri Zur comenta um fragmento da Genizah do Cairo, sobre uma disputa territorial. Além desses importantes artigos, a revista publica arte, crônica, humor, poesia, resenha e tradução. 

Publicado: 2018-05-31

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