A Experimentoteca do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC-USP) e o Ensino por Investigação: Compromissos Teóricos e Esforços Práticos

Palavras-chave: museus e centros de ciências, Experimentoteca, relação teoria-prática.

Resumo

A Experimentoteca é um projeto desenvolvido pelo Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC-USP), e busca prover as escolas da educação básica com materiais para o ensino experimental. Este estudo procura investigar quais são os compromissos teóricos da Experimentoteca com o ensino por investigação e como estes são acompanhados de esforços práticos, por parte de seus idealizadores e seus usuários, visando a realização desse tipo de atividades experimentais. Os compromissos teóricos foram inferidos a partir da análise de coocorrências de substantivos na obra O livro da Experimentoteca, tomada como cânone do projeto quanto à sua fundamentação pedagógica. A identificação dos esforços práticos decorreu da análise categorial de roteiros que acompanham os kits da Experimentoteca, seguida de um estudo documental dos trabalhos que já a tomaram como objeto. Os resultados indicam a existência de contradições entre os fundamentos teóricos do projeto (que manifestam uma preferência pela abordagem investigativa no ensino) e suas formas de apresentação e de uso na prática (que esbarram em limites como a estrutura organizacional da educação básica). O texto finaliza com apontamentos para a superação desse cenário contraditório.

Referências

Araújo, M. S. T., & Abib, M. L. V. S. (2003). Atividades experimentais no ensino de física: diferentes enfoques, diferentes finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física, 25(2), 176–194. Recuperado de http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-11172003000200007&lng=en&tlng=pt
Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo. 3. reimpr. Lisboa: Edições 70.
Canales, R. P. (2006). O Centro de Divulgação Científica e Cultural da Universidade de São Paulo: um projeto de extensão universitária. (Dissertação de Mestrado em Educação). Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos, São Carlos.
Cazelli, S., Marandino, M., & Studart, D. (2003). Educação e comunicação em museus de ciências: aspectos históricos, pesquisa e prática. In G. Gouvêa, M. Marandino, & M. C. Leal (Orgs.), Educação e museu: a construção social do caráter educativo dos museus de ciências (pp. 83–106). Rio de Janeiro: Access/Faperj.
De Jong, O. (1998). Los experimentos que plantean problemas en las aulas de química: dilemas y soluciones. Enseñanza de las Ciencias, 16(2), 305–314. Recuperado de http://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/view/21536/21370
Diniz, R. E. S. (1992). A experimentação e o ensino de ciências no 1º grau: analisando a Experimentoteca de 7ª série. (Dissertação de Mestrado em Educação). Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos, São Carlos.
Ferreira, E. R. O., Castro, A. C., Santos, S. A. M., & Schiel, D. (2004). Características, estrutura e desenvolvimento do trabalho do Centro de Divulgação Científica e Cultural. Divulgações do Museu de Ciências e Tecnologia, 4, 55–60.
Ferreira, E. R. O., & Schiel, D. (2001). Centro de Divulgação Científica e Cultural. In S. Crestana, E. W. Hamburger, D. M. Silva, & S. Mascarenhas (Orgs.), Educação para a ciência: curso de treinamento em centros e museus de ciência (pp. 611–615). São Paulo: Livraria da Física.
Frigotto, G. (2004). O enfoque da dialética materialista histórica na pesquisa educacional. In I. Fazenda (Org.). Metodologia de pesquisa educacional (pp. 69–90). 9. ed. São Paulo: Cortez.
Gamboa, S. A. S. (2004). A dialética na pesquisa em educação: elementos de contexto. In I. Fazenda (Org.). Metodologia de pesquisa educacional (pp. 91–115). 9. ed. São Paulo: Cortez.
Gaspar, A. (2006). A teoria de Vigotski: um novo e fértil referencial para o ensino das ciências. (Tese de Livre Docência). Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Guaratinguetá.
Gaspar, A. (2014). Atividades experimentais no ensino de Física: uma nova visão baseada na teoria de Vigotski. São Paulo: Livraria da Física, 2014.
Gil, A. C. (2008). Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas.
Hofstein, A., Aikenhead, G., & Riquarts, K. (1988). Discussions over STS at the fourth IOSTE symposium. International Journal of Science Education, 10(4), 357–366. doi: 10.1080/0950069880100403
Joaquim, C. L. M. (1992). Estudando a experimentação no ensino de ciências. (Dissertação de Mestrado em Educação). Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos, São Carlos.
Kasseboehmer, A. C., Hartwig, D. R., & Ferreira, L. H. (2015). Contém química 2: pensar, fazer e aprender pelo método investigativo. 2. ed. São Carlos: Pedro & João.
Krasilchik, M. (1987). O professor e o currículo das ciências. São Paulo: EPU, 1987.
Marandino, M. (2017). Faz sentido ainda propor a separação entre os termos educação formal, não formal e informal? Ciência & Educação, 23(4), 811–816. doi: 10.1590/1516-731320170030001
Marandino, M. (Org.). (2008). Educação em museus: a mediação em foco. São Paulo: Geenf/FEUSP.
McManus, P. (1992). Topics in museums and science education. Studies in Science Education, 20(1), 157–182. doi: 10.1080/03057269208560007
Megid Neto, J. (1999). Tendências da pesquisa acadêmica sobre o ensino de ciências no nível fundamental. 1999. (Tese de Doutorado em Educação). Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
Meneghetti, R. C. G. (2011). Experimentoteca de matemática: discussões sobre possibilidades de sua utilização no processo de ensino e aprendizagem de Matemática. Práxis Educativa, 6(1), 121–132. doi: 10.5212/PraxEduc.v.6i1.0011
Mori, R. C. (2014). Experimentação no ensino de Química: contribuições do Projeto Experimentoteca para a prática e para a formação docente. (Tese de Doutorado em Química). Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo, São Carlos.
Mori, R. C., & Curvelo, A. A. S. (2016). O pensamento de Dermeval Saviani e a educação em museus de ciências. Educação e Pesquisa, 42(2), 491–506. doi: 10.1590/S1517-9702201604144612
Mortimer, E. F., & El-Hani, C. N. (Eds). (2014). Conceptual profiles: a theory of teaching and learning scientific concepts. New York: Springer.
Sanfelice, J. L. (2008). Dialética e pesquisa em educação. In: J. C. Lombardi, & D. Saviani. (Orgs.), Marxismo e educação: debates contemporâneos (pp. 69–94). 2. ed. Campinas: Autores Associados/HISTEDBR.
Santos, W. L. P., & Schnetzler, R. P. (1997). Educação em química: compromisso com a cidadania. Ijuí: Unijuí.
Schiel, D. (2001). A construção do conhecimento pelo aluno no programa Experimentoteca. In S. Crestana, E. W. Hamburger, D. M. Silva, & S. Mascarenhas (Orgs.), Educação para a ciência: curso de treinamento em centros e museus de ciência (pp. 261-264). São Paulo: Livraria da Física.
Schiel, D. (1998). Centro de Divulgação Científica e Cultural de São Carlos: o centro de ciência em toda parte. In: S. Crestana, M. G. Castro, & G. R. M. Pereira (Orgs.), Centros e museus de ciência: visões e experiências: subsídios para um programa nacional de popularização da ciência (pp. 189–195). São Paulo: Saraiva.
Schiel, D., Curvelo, A. A. S., & Ferreira, L. H. (2004). Projeto Experimentoteca: a contribuição do design. Divulgações do Museu de Ciências e Tecnologia, 4, 149–154.
Tomazello, M. G. C., & Schiel, D. (Orgs). (2000). O livro da Experimentoteca: educação para as ciências da natureza através de práticas experimentais. Piracicaba: VITAE/Unimep/USP.
Publicado
2018-12-15
Como Citar
Mori, R., & da Silva Curvelo, A. (2018). A Experimentoteca do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC-USP) e o Ensino por Investigação: Compromissos Teóricos e Esforços Práticos. Revista Brasileira De Pesquisa Em Educação Em Ciências, 18(3), 795-818. https://doi.org/10.28976/1984-2686rbpec2018183795