Tolerância Religiosa na França do século XVIII:

a noção de superstição em Voltaire

Palavras-chave: Voltaire, Tolerância religiosa, superstição

Resumo

O presente trabalho visa a analisar a noção de superstição na obra de Voltaire, como uma forma de defesa da tolerância, principalmente no paradigma do cerceamento de direitos civis e de perseguições ferrenhas aos protestantes na França do século XVIII. Inicialmente, são apresentadas considerações sobre o contexto político e jurídico da França no referido século, identificando normas que cerceavam direitos dos protestantes em um país oficialmente católico. São citados também casos concretos de julgamentos marcados pela intolerância religiosa nos quais agiu Voltaire, demonstrando a atuação não apenas em discussões teóricas, mas também em nível prático feita pelo filósofo. A partir daí, chega-se à relação entre os iluministas e a questão do fanatismo e da superstição, desenvolvendo-se considerações sobre esse conceito em Voltaire, sempre relacionando-o ao tema da tolerância. Resta evidenciado o papel que o autor, assim como muitos de seus colegas iluministas, conferia à Razão e à Filosofia no combate à superstição e no esclarecimento, favorecendo a tolerância religiosa e a busca por direitos dos protestantes numa França em que, historicamente, o diferente era rechaçado.

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Biografia do Autor

Raul Salvador Blasi Veyl, Universidade Federal de Minas Gerais

Mestrando em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Bacharel pela mesma instituição. 

Maria Laura Tolentino Marques Gontijo Couto, Universidade Federal de Minas Gerais

Graduanda em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Pesquisadora em sede de Inicicação Científica Voluntária, sob orientação da Profa. Dra. Karine Salgado.

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Publicado
2019-12-26
Como Citar
VEYL, R. S. B.; COUTO, M. L. T. M. G. Tolerância Religiosa na França do século XVIII:. Revista de Ciências do Estado, v. 4, n. 2, p. 1-15, 26 dez. 2019.