Contribuições e Dificuldades de Práticas de Leitura e Escrita para Ensinar e Aprender Física no Ensino Médio: Reflexões à Luz da Cultura Escolar

Palavras-chave: Leitura, Escrita, Ensino de Física, Cultura Escolar

Resumo

Estudos da literatura defendem a importância de práticas de leitura e escrita em aulas de Física, que podem assumir diferentes funções e finalidades na escola. Esta pesquisa analisa perspectivas de diferentes sujeitos, professor e estudantes de um contexto escolar, sobre as contribuições e dificuldades de considerar essas práticas para ensinar e aprender física em aulas da disciplina no Ensino Médio. Compreendendo leitura e escrita como práticas socioculturais e escolarizadas e adotando o conceito de cultura escolar, realizou-se o estudo em uma escola pública, em três turmas de terceiro ano. Os instrumentos utilizados foram observações de aulas, intervenção no contexto e entrevistas com 14 estudantes e com o professor, analisando-se as perspectivas desses diferentes sujeitos escolares sobre a temática, à luz do conceito de cultura escolar e da escola. A partir das análises, dentre vários elementos, evidencia-se que nas vozes desses sujeitos, a leitura permite melhor compreensão e ampliação dos olhares sobre os conceitos, enquanto a escrita auxilia na memorização e expressão do conhecimento. A intervenção evidenciou que é possível inserir tais práticas nas aulas de Física, de modo a ampliar as contribuições para o ensino-aprendizagem, explorando outros aspectos relacionados aos conceitos estudados. As dificuldades evidenciadas, por sua vez, referem-se principalmente à relação dos estudantes com essas práticas, à formação docente e a uma cultura escolar que influencia o seu uso, dentro de uma cultura já estabelecida nesta disciplina.

Referências

Andrade, I. B., & Martins, I. (2006). Discursos de professores de ciências sobre leitura. Investigações em Ensino de Ciências, 11(2), 121–151. Recuperado de https://www.if.ufrgs.br/cref/ojs/index.php/ienci/article/view/491/293

Almeida, M. J. P. M., & Mozena, E. R. (2000). Luz e Outras Formas de Radiação Eletromagnética: Leituras na 8ª Série do Ensino Fundamental. Revista Brasileira de Ensino de Física, 22(3), 426–433. Recuperado de http://www.cepa.if.usp.br/e-fisica/apoio/textos/v22_426.pdf

Almeida, M. J. P. M., Silva, H. C., & Babichak, C. C. (1999). O movimento, a mecânica e a Física no Ensino Médio. Revista Brasileira de Ensino de Física, 21(1), 195–201. Recuperado de http://efisica.if.usp.br/apoio/artigosapoio/v21_195.pdf

Almeida, M. J. P. M., Silva, H. C., & Machado, J. L. M. (2001). Condições de produção no funcionamento da leitura na educação em física. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, 1(1). Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/rbpec/article/view/4180

Almeida, M. J. P. M., & Ricon, A. E. (1993). Divulgação Científica e texto literário – uma perspectiva cultural em aulas de Física. Caderno Catarinense de Ensino de Física, 10(1), 7–13. http://dx.doi.org/10.5007/%25x

Amaral, E. T. (2010). O professor de ensino médio e o seu olhar sobre a leitura e a escrita em sua disciplina. (Dissertação de Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Educação, UNIMEP, Piracicaba.

Assis, A., & Carvalho, F. L. C. (2008). A postura do professor em atividades envolvendo a leitura de textos paradidáticos. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, 8(3). Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/rbpec/article/view/4014

Assis, A., & Teixeira, O. P. B. (2005). Uma avaliação dos alunos sobre o uso de um texto paradidático no ensino de física. In Atas V Encontro Nacional de Pesquisas em Educação em Ciências. Bauru, SP/Brasil.

Bakhtin, M. (1992). Os gêneros do discurso. In M. Bakhtin. Estética da criação verbal (pp. 277–326). São Paulo, SP/Brasil: Martins Fontes.

Bubnova, T. (2011). Voz, sentido e diálogo em Bakhtin / Voice, sense and dialogue on Bakhtin (R. L. Baronas, & F. Tonelli, Trad). Bakhtiniana, 6(1), 268–280. (Obra original publicada em 2006). http://dx.doi.org/10.1590/S2176-45732011000200016

Brait, B., & Pistori, M. H. C. (2012). A produtividade do conceito de gênero em Bakhtin e o círculo. Alfa, 56(2), 371–401. Recuperado de http://seer.fclar.unesp.br/alfa/article/viewFile/5531/4343

Carvalho, J. A. B., & Barbeiro, L. F. (2013). Reproduzir ou construir conhecimento? Funções da escrita no contexto escolar português. Revista Brasileira de Educação, 18(54), 609–628. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v18n54/06.pdf

Carvalho, R. G. G. (2006). Cultura global e contextos locais: a escola como instituição possuidora de cultura própria. Revista Iberoamericana de Educación, 39(2), 1–9. Recuperado de https://rieoei.org/deloslectores/1434GilGomes.pdf

Castro, G. (2014). Discurso citado e memória: ensaio bakhtiniano sobre Infância, e São Bernardo. Chapecó: Argos.

Castro, G. (2010). Bakhtin e a Análise do Discurso. In L. Paula de, & G. Stafuzza. Da análise do Discurso no Brasil à Análise do Discurso do Brasil: três épocas histórico-analíticas (pp. 89–118). Uberlândia, MG/Brasil: EDUFU.

Charret, H. C., & Krapas, S. (2008). O discurso da física escolar como uma linguagem social particular: um olhar sobre a redação dos alunos. In Atas XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física. Curitiba, PR/Brasil.

Chaves, T. V., Mezzomo, J., & Terrazan, E. A. (2001). Avaliando práticas didáticas de utilização de textos de divulgação científica como recurso didático em aulas de física no ensino médio. In Atas III Encontro Nacional de Pesquisas em Educação em Ciências. Atibaia, SP/ Brasil.

Chervel, A. (1990). História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa (G. L. Louro, Trad.). Teoria & Educação, 2, 177–229. (Obra original publicada em 1988). Recuperado de https://moodle.fct.unl.pt/pluginfile.php/122510/mod_resource/content/0/Leituras/Chervel01.pdf.

Cruvinel, F. R. (2010) Ensinar a ler na escola: a leitura como prática cultural. Ensino Em-Revista, 17(1), 249–276. Recuperado de http://www.seer.ufu.br/index.php/emrevista/article/view/8194/5212

Ferreira, J. C. D., & Raboni, P. C. A. (2013). A ficção científica de Júlio Verne e o ensino de Física: uma análise de “Vinte mil léguas submarinas”. Caderno Catarinense de Ensino de Física, 30(1), 84–103. https://doi.org/10.5007/2175-7941.2013v30n1p84

Flôr, C. C., & Cassiani, S. (2011). O que dizem os estudos da linguagem na educação científica. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, 11(2), 67–86. Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/rbpec/article/view/4197

Forquin, J. (1993). Escola e Cultura: As bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar (G. L. Louro, Trad.). Porto Alegre: Artes Médicas (Obra original publicada em 1989).

Gaspar, A. (2014). Atividades experimentais no ensino de Física: uma nova visão baseada na teoria de Vigotski. São Paulo: Editora Livraria da Física.

Góes, M. C. R. (2001). A construção de conhecimentos e o conceito de zona de desenvolvimento proximal. In E. F. Mortimer, & A. L. B. Smolka. Linguagem, Cultura e Cognição: reflexões para o ensino e a sala de aula (pp. 77–88). Belo Horizonte, MG/Brasil: Autêntica.

Guedes, P. C., & Souza, J. M. (2011). Leitura e escrita são tarefas da escola e não só do professor de português. In I. C. B. Neves, N. O. Schaffer. Ler e escrever: compromisso de todas as áreas. 9 ed. Porto Alegre, RS/Brasil: Editora da UFRGS.

Hedegaard, M. (1996). A zona de desenvolvimento proximal como base para a instrução. In L. C. Moll. Vygotsky e a educação: implicações pedagógicas da psicologia sócio-histórica. Porto Alegre, RS/Brasil: Artes Médicas.

Jobim e Souza, S. (2008). Infância e Linguagem: Bakhtin, Vygotsky e Benjamin. Campinas: Papirus.

Lessard-Hébert, M., Goyette, G., & Boutin, G. (1990). Investigação qualitativa: fundamentos e práticas. Lisboa: Instituto Piaget.

MEC. (2013). Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. Brasília: Secretaria da Educação Básica.

Mendes-Filho, L. F., Gonçalves, I. A., Vidal, D. G., & Paulilo, A. L. (2004). A cultura escolar como categoria de análise e como campo de investigação na história da educação brasileira. Educação e Pesquisa, 30(1), 139–159. Recuperado de www.scielo.br/pdf/ep/v30n1/a08v30n1.pdf

Pagliarini, C. R., & Almeida, M. J. (2014). Física Quântica numa Leitura de Divulgação Científica no início do Ensino Médio: manifestações dos estudantes. In Simpósio sobre Divulgação Científica na sala de aula: perspectivas e possibilidades. São Paulo, SP/Brasil: USP.

Paula, H. F., & Talim, S. L. (2015). Avaliação de estudantes sobre a prática de produzir registros das atividades de ciências. Revista Ensaio,17(1), 14–38. http://dx.doi.org/10.1590/1983-211720175170101

Setlik, J., & Higa, I. (2017). Writing in Physics classes in High School: possibilities. In M. Pietrocola, I. Gurgel, C. Leite, (Org.), Contemporary science education and challenges in the presente society: perspectives in physics teaching and learning (pp. 96–99). São Paulo, SP/Brasil: FEUSP.

Silva, A. C. (2013). Leitura sobre ressonância magnética nuclear em aulas de física do ensino médio. (Dissertação de Mestrado). Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.

Silva, H. C. (1997). Como, quando e o que se lê em aulas de física no ensino médio: elementos para uma proposta de mudança. (Dissertação de Mestrado). Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.

Veneu, A., Ferraz, G., & Rezende, F. (2015). Análise de discursos no ensino de ciências: considerações teóricas, implicações epistemológicas e metodológicas. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, 17 (1), 126–149. http://dx.doi.org/10.1590/1983-211720175170106

Vigotski, L. S. (2008). Pensamento e linguagem. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes.

Vigotski, L. S. (2014). Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar. In L. S. Vigotski, A. R. Luria, A. N. Leontiev. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem (pp. 103–117). 13. ed. São Paulo, SP/Brasil: Ícone.

Publicado
2019-10-13
Como Citar
Setlik, J., & Higa, I. (2019). Contribuições e Dificuldades de Práticas de Leitura e Escrita para Ensinar e Aprender Física no Ensino Médio: Reflexões à Luz da Cultura Escolar. Revista Brasileira De Pesquisa Em Educação Em Ciências, 19, 449-482. https://doi.org/10.28976/1984-2686rbpec2019u449482
Seção
Artigos