O planejamento governamental brasileiro no alinhamento político-econômico global:

considerações históricas

  • Matheus Henrique de Souza Santos Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Planejamento Governamental, Brasil, Estado brasileiro

Resumo

O objetivo do trabalho é discutir acerca dos aspectos históricos do planejamento governamental brasileiro em diálogo com o contexto político-econômico global, de acordo com cada período. Para tanto, está divido em duas partes, em que a primeira aborda três marcos considerados de maior destaque: a) os governos de Getúlio Vargas; b) o Plano de Metas de JK e; c) o regime militar. Em seguida, a discussão permeia a Reforma do Estado de 1995 e suas consequências para, no fim, destacar a importância do PAC como o atual instrumento de planejamento governamental no Brasil. Caracteriza-se como debate teórico, propondo diálogo com diversos autores da temática, desde os consagrados até as discussões mais recentes. A conclusão apresentada é que o Estado brasileiro, durante o século XX, mantém ritmo intenso para o planejamento, na busca de reorganizar as bases necessárias para implantar um desenvolvimento contínuo, mesmo com concepções diferentes e regimes políticos distintos; e que os instrumentos de planejamento governamental não só terão aspecto técnico como também relevância política na perspectiva de consolidar ideários e consensos internos e estabelecer alinhamentos à conjuntura político-econômica internacional. Conquanto, atualmente, o esforço é para concretizar o Plano Plurianual como ferramenta única de planejamento dos entes federados.

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Biografia do Autor

Matheus Henrique de Souza Santos, Universidade Estadual de Campinas

Administrador Público; Mestre em Ciências Sociais; Doutorando em Política Científica e Tecnológica – Instituto de Geociências/UNICAMP e membro do Grupo de Análise de Políticas de Inovação (GAPI). Bolsista CAPES.

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Publicado
2019-12-23
Como Citar
SANTOS, M. H. DE S. O planejamento governamental brasileiro no alinhamento político-econômico global:. Revista de Ciências do Estado, v. 4, n. 2, p. 1-29, 23 dez. 2019.