A moralidade deve submeter-se à técnica?

Uma perspectiva kantiana da questão

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DOI:

https://doi.org/10.35699/2525-8036.2026.63137

Palavras-chave:

Estado ético, Immanuel Kant, Filosofia moral, Filosofia da técnica

Resumo

O desenvolvimento das técnicas transformou a produção e a eficiência nos critérios últimos de avaliação da conduta humana, transformando o ser humano em um recurso a ser gerido conforme leis de mercado, e os fins do Estado deixando de serem a concretização de direitos fundamentais, mas a produção de efeitos econômicos que violam direitos sociais e adquiridos. À luz da filosofia kantiana, argumenta-se que a moral contém um princípio absoluto não condicionado pela experiência ou por circunstâncias particulares. Uma vez que tal regra é uma lei prática universal que regula qualquer ação humana e que todos os outros princípios dela derivam, argumenta-se ser necessário que a ação política se dê de acordo com máximas morais, e não técnicas, e que um Estado legítimo é aquele no qual a moralidade, positivada no direito, é a causa e o fim de sua ação.

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Publicado

29-04-2026

Como Citar

CAMPOS, Gabriel Afonso. A moralidade deve submeter-se à técnica? Uma perspectiva kantiana da questão. Revista de Ciências do Estado, Belo Horizonte, v. 11, n. 1, p. 1–21, 2026. DOI: 10.35699/2525-8036.2026.63137. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revice/article/view/e63137. Acesso em: 30 abr. 2026.

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