TRABALHO, EDUCAÇÃO E CAPITAL

PERCURSOS HISTÓRICOS E IMPEDIMENTOS PARA A FORMAÇÃO OMNILATERAL

Autores

  • Ellen Cristine dos Santos Ribeiro Universidade Estadual do Ceará (UECE) http://orcid.org/0000-0002-7558-5547
  • José Deribaldo Gomes dos Santos Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (FECLESC-UECE)
  • Karine Martins Sobral Universidade Estadual do Ceará (UECE)

DOI:

https://doi.org/10.35699/2238-037X.2019.9878

Palavras-chave:

Trabalho, Educação, Ensino Profissionalizante

Resumo

O artigo discute as relações entre trabalho e educação ao longo da história no intuito de evidenciar a perpetuação da dicotomia expressa no modelo educacional vigente, sobretudo no ensino profissionalizante, que tem reproduzido a cisão entre trabalho manual e intelectual na base da sociedade capitalista. Nesse sentido, reafirma-se a necessidade da construção de uma proposta pedagógica baseada na transmissão do conhecimento historicamente acumulado pela humanidade, articulada à possibilidade de desenvolvimento integral do ser humano. Para tanto, partiu-se do pressuposto marxiano da prioridade ontológica exercida pelo trabalho em relação aos demais complexos, que torna a educação dependente em relação a este, apesar de sua autonomia relativa e determinação recíproca. A pesquisa, de natureza teórico-bibliográfica, recorreu a autores clássicos e contemporâneos, cujas interpretações conferem coesão com a proposta do referencial balizador: o marxismo. A partir da investigação foi possível apontar críticas à legitimação da dicotomia educativa através dos séculos e apontar alguns construtos teóricos fundamentais de impedimento para a formação humana omnilateral.

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Biografia do Autor

Ellen Cristine dos Santos Ribeiro, Universidade Estadual do Ceará (UECE)

Doutoranda e Mestra em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Especialista em Coordenação Pedagógica e Gestão Escolar (FA7). Pedagoga (UFC). Professora efetiva da rede municipal de Fortaleza. Pesquisadora-colaboradora do Instituto de Estudos e Pesquisas do Movimento Operário (IMO) da Universidade Estadual do Ceará. Membro do grupo de pesquisa Trabalho, educação, estética e sociedade (GPTREES).

José Deribaldo Gomes dos Santos, Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (FECLESC-UECE)

Doutor em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestre em Políticas Públicas e Sociedade pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).  Professor Adjunto da Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (FECLESC-UECE). É pesquisador do Instituto de Estudos e Pesquisas do Movimento Operário (IMO-UECE) e do Laboratório de Pesquisas sobre Políticas Sociais do Sertão Central (Lapps-UECE). Lidera o Grupo de Pesquisa Trabalho, Educação, Estética e Sociedade (GPTREES).

Karine Martins Sobral, Universidade Estadual do Ceará (UECE)

Doutoranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Especialista em Coordenação Pedagógica e Gestão Escolar (FA7). Pedagoga (FA7). Professora Assistente do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas/Sociologia na Universidade Federal do Maranhão (UFMA / Campus de São Bernardo). Colaboradora externa do Grupo de Estudo Marxismo e Educação. Pesquisadora-orientadora do Grupo de Pesquisa em Meio Ambiente, Desenvolvimento e Cultura (GEPEMADEC/UFMA).

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Publicado

2019-08-29

Como Citar

RIBEIRO, E. C. dos S.; SANTOS, J. D. G. dos; SOBRAL, K. M. TRABALHO, EDUCAÇÃO E CAPITAL : PERCURSOS HISTÓRICOS E IMPEDIMENTOS PARA A FORMAÇÃO OMNILATERAL. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 28, n. 2, p. 63–77, 2019. DOI: 10.35699/2238-037X.2019.9878. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/9878. Acesso em: 26 out. 2021.

Edição

Seção

ARTIGOS