v. 9 n. 16 (2015): Coleções, listas e arquivos judaicos

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Apresentação

Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

Este número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG recebeu artigos sobre coleções, listas e arquivos judaicos, materiais ou metafóricos. Esses temas constituem um importante ponto de reflexão sobre a memória, a literatura e a arte judaica. Ao se utilizarem dessas formas de organização, escritores e artistas podem, a um só tempo, expor as mazelas do arquivo infinito e imponderável, suas propensões ao absurdo, à vertigem e ao acúmulo obsessivo, bem como exibir a necessidade de se avaliar os contundentes espólios, a listagem das ruínas e a reinterpretação dos acervos como arquivos continuamente abertos à leitura. Inúmeros escritores, como Georges Perec, David Grossman, Jonathan Safran Foer e, no Brasil, Clarice Lispector, Moacyr Scliar, Noemi Jaffe e Michael Laub, só para citar alguns, deixam vislumbrar, em suas obras, uma poética da coleção, da lista e do arquivo. Artistas como Christian Boltanski, que trabalha com a memória da Shoah, por exemplo, e exibe em Les Archives (Os arquivos), de 1987, e em instalações como Autel De Lycée Chases (Altar ao Liceu de Chases), 1988, fotografias de crianças judias vítimas do genocídio, ou Réserve [Reserva], 1990, onde acumulações de roupa usada evocam as imagens dos campos de concentração, proporcionam uma reflexão importante sobre a obsessão com a memória, a violência e o poder. No Brasil, Leila Danziger apresenta na exposição O que desaparece, o que resiste, livros e vídeos cujo inventário de perdas e ganhos também explora essa tensão entre a lembrança e o esquecimento. A estratégia de fazer o arrolamento significa, para além da lista e da acumulação, revelar a tensão entre o que restou e o que se preservou e, de forma lacunar e fantasmagórica, narrar uma história de dor e de afeto que ainda sobrevive no imaginário, e consiste em um requintado artesanato.

Publicado: 2015-05-30

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