As Três Caravelas ou de Peri pelo Abapuru aos Mais Doces Bárbaros:

contribuições para uma história da Cultura brasileira

  • Vinícius Batelli de Souza Balestra Universidade Federal de Minas Gerais
  • Hugo Rezende Henriques Universidade Federal de Minas Gerais
Palavras-chave: Cultura, Nação, Brasil, Romantismo, Modernismo

Resumo

Dois momentos decisivos da cultura brasileira nos legaram ideias de Nação: o Romantismo e o Modernismo. O texto acompanha a saga da primeira tentativa, ainda no Império brasileiro, de narrar o país e dar um sentido efetivamente nacional à construção de nossa institucionalidade, qual seja, o Romantismo, com suas primeiras interpretações do país, seus romances indigenistas e os intelectuais ligados à política saquarema. À queda do Império, seguem-se anos de terreno árido para a construção de uma narrativa singular brasileira – marcados pela hegemonia positivista e cientificista no simbolismo da República –, até que a cultura brasileira produz o movimento modernista, que anuncia a novidade dos anos vindouros e prepara a narrativa de um país moderno que desagua na Revolução de 30. O Modernismo, assim, apresenta-se como o movimento – com as particularidades paulistas – que quer dar fim ao Brasil velho dos anos iniciais da República e recuperar a ideia de nação, mas com fortes contornos cosmopolitas. O texto acompanha os projetos estéticos e os projetos ideológicos de cada movimento na tentativa de revelar as narrativas que irão erigir o Estado brasileiro e que passam a ser referenciais para todas as discussões culturais a respeito dos nossos passado, presente e futuro.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Vinícius Batelli de Souza Balestra, Universidade Federal de Minas Gerais

Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP, Mestre em Direito pela Faculdade de Direito da UFMG, doutorando do Programa de pós-graduação em Direito da Faculdade de Direito da UFMG, sob orientação da Profa. Dra. Karine Salgado e bolsista CAPES.

Hugo Rezende Henriques, Universidade Federal de Minas Gerais

Bacharel em Biologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP, Mestre em Biologia pela Universidade de São Paulo, Mestre em Direito pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP, doutorando do Programa de pós-graduação em Direito da Faculdade de Direito da UFMG, sob orientação do Prof. Dr. José Luiz Borges Horta e bolsista do CNPq.

Referências

ALMEIDA, Philippe Oliveira de. Crítica da Razão antiutópica. São Paulo: Edições Loyola, 2018.

ALONSO, Angela. Crítica e Contestação: o movimento reformista da geração 1870. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 15, n. 22, p. 35-44, abr., 1984.

ALONSO, Angela. De Positivismo e positivistas: interpretações do positivismo brasileiro. Revista Brasileira de Informação Bibliográfica, São Paulo, v.1, n. 42, p. 109-134, jul., 1996.

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1970.

BOSI, Alfredo. Moderno e modernista na literatura brasileiro. In: BOSI, Alfredo. Céu, Inferno: ensaios de crítica literária e ideológica. São Paulo: Editora 34, 2003.

BRESCIANI, Maria Stella. O Cidadão da República: Liberalismo versus positivismo. Crítica e Contestação: o movimento reformista da geração 1870. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 15, n. 17, p. 122-135, mai., 1993.

CANDIDO, Antonio. A Revolução de 30 e a cultura. In: MONTERO, Paula; COMIN, Álvaro. Mão e contramão. São Paulo: Globo, 2009.

CANDIDO, Antonio. A Revolução de 30 e a cultura. Novos Estudos, São Paulo, v. 4, n. 1, p.27-28, abr. 1984.

CANDIDO, Antonio. Literatura e Sociedade. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2006.

CANDIDO, Antonio; CASTELLO, José Aderaldo. Presença da literatura brasileira. São Paulo: DIFEL, 1964.

CARVALHO, José Murilo de. A Formação das Almas: O imaginário da república no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

FANTINATI, Carlos Erivany. A visão eufórica do Brasil. Guavira Letras.Três Lagoas, n. 05, p. 116-138, 2007.

FERREIRA, Mariá A. Brochado. Consciência moral e consciência jurídica. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002.

FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. 48ª Ed. São Paulo: Global, 2003.

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Filosofia do Direito. Trad. Paulo Meneses. São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 2010.

HOBSBAWN, Eric. Nations and Nationalism since 1780: Programme, Myth, Reality. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.

HORTA, José Luiz Borges. Globalização, (des)ideologização e reconstitucionalização do Brasil. IN: HORTA, José Luiz Borge; SALGADO, Karine. História, Estado e idealismo alemão. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2017.

HORTA, José Luiz Borges. Urgência e emergência do constitucionalismo estratégico. Revista Brasileira de Estudos Constitucionais – RBEC. Ano 1, v. 1, jan./mar. 2007, Belo Horizonte: Fórum, 2007.

HORTA, José Luiz Borges; RAMOS, Marcelo Maciel. Entre as veredas da cultura e civilização. Revista Brasileira de Filosofia. V. 233, p. 235-264, 2009.

JARDIM, Antônio da Silva. Tiradentes: discurso lido por Silva Jardim. Rio de Janeiro: Tipografia Leuzinger e Filhos, 1890.

LAFETÁ, José Luiz. 1930: A Crítica e o Modernismo. São Paulo: Editora 34, 2000.

LYNCH, Christian Edward Cyril. Monarquia sem despotismo e liberdade sem anarquia: o pensamento político do Marquês de Caravelas (1821-1836). Belo Horizonte, Editora UFMG, 2014.

MOUFFE, Chantal. Sobre o político. Trad. Fernando Santos. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2015.

NASCIMENTO, Washington Santos. “São Domingos, o grande São domingos!”: repercussões e representações da Revolução Haitiana no Brasil escravista. Dimensões. Vitória, v. 21, 2008, p. 125-142.

NETO, Torquato. Os últimos dias de Paupéria. São Paulo: Max Limonad, 1982.

OLIVEIRA VIANA, Francisco José de. Instituições Políticas Brasileiras. Brasília: Editora do Senado Federal, 1999.

REIS, José Carlos. As Identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2006.

RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

SALGADO, Joaquim Carlos. A Ideia de Justiça no mundo contemporâneo: fundamentação e aplicação do Direito como maximum ético. Belo Horizonte: Del Rey, 2007.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

WINTER, Murillo Dias. “Vivir en cadenas, ¡que triste vivir!, Morir por la Patria, ¡que belo Morir!” – o conceito de Pátria nas páginas da imprensa periódica da Província Cisplatina (1821-1828). Estudios históricos. Uruguay, n. 11, a. V. Disponível em: <http://www.estudioshistoricos.org/11/art.17%20Vivir%20en%20cadenas-%20MURILLO.pdf>, Acesso em 10 Set. 2019, 2013.

Publicado
2019-12-04
Como Citar
BALESTRA, V. B. DE S.; HENRIQUES, H. R. As Três Caravelas ou de Peri pelo Abapuru aos Mais Doces Bárbaros:. Revista de Ciências do Estado, v. 4, n. 2, p. 1-17, 4 dez. 2019.