O TRABALHO DAS PROFESSORAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL E DAS EDUCADORAS DA INCLUSÃO ESCOLAR

Autores

  • Naim Rodrigues de Araújo Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) https://orcid.org/0000-0003-4966-816X
  • Charles Moreira Cunha Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
  • Mariana Veríssimo Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas)

DOI:

https://doi.org/10.35699/2238-037X.2023.45394

Palavras-chave:

Professores com deficiência, Auxiliar de apoio ao educando, Trabalho colaborativo, Entidades coletivas relativamente pertinentes, Educador da Inclusão Escolar

Resumo

Este artigo discute a construção do trabalho colaborativo entre Professoras com deficiência visual e Auxiliares de Apoio ao Educando em escolas da rede municipal de ensino de Belo Horizonte. Os dados produzidos em campo foram consequência de entrevistas semiestruturadas, observação participante e uma pergunta geradora no que diz respeito à história de vida tópica das duas Professoras que foram interlocutoras da pesquisa. O recorte justifica-se por tratar especificamente dos percursos formativos e da atuação das Professoras no mundo do trabalho.  O texto estabelece-se com uma abordagem aproximativa entre os dados produzidos em campo e a noção ergológica de “Entidades Coletivas Relativamente Pertinentes - ECRP”, sobretudo a partir de autores como Schwartz e Durrive (2010) e Efros (2014). Depreende-se que uma abordagem aproximativa entre os resultados produzidos em campo e o conceito de (ECRP) possibilita compreender o trabalho realizado por Professores/Professoras com deficiência e seus/suas Auxiliares como uma parceria construída como uma ECRP, sendo importante e necessário considerar o papel do/da Auxiliar de Apoio ao Educando no processo educacional, ainda que este profissional não substitua o Professor com deficiência. Tem-se, portanto, na mediação da relação professor/aluno, um novo sujeito sociocultural, sujeito este que não é aluno, nem Professor, mas que igualmente é ativo no processo educacional. Vislumbra-se para este profissional um novo termo que, de fato, qualifique e evidencie seu trabalho, qual seja, Educador da Inclusão Escolar.

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Biografia do Autor

Naim Rodrigues de Araújo, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Doutorando em Antropologia Social pela Universidade Federal de Minas Gerais. Mestre em Educação e Docência pela mesma Instituição (2020). Técnico administrativo em educação na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG (servidor público concursado). É membro do grupo de pesquisa Garimpo da atividade (UFMG/PUC MINAIS). 

Charles Moreira Cunha, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Doutor em Educação no programa " Conhecimento e Inclusão Social" pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professor adjunto da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Coordenador e Professor da linha de pesquisa Trabalho e Educação do Mestrado Profissional da Faculdade de Educação.

Mariana Veríssimo, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas)

Doutora em Filosofia. Professora Dep. Educação/PUC-Minas. Colaboradora no PROMESTRE- FAE/UFMG (2016 atual) Linha Trabalho e Educação. Coordenadora do Curso de Pedagogia Online da PUC-Minas; Coordenadora do Programa Residência Pedagógica no Curso de Pedagogia/PUC-Minas (2020 e atual).

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Publicado

2023-10-19

Como Citar

ARAÚJO, N. R. de; CUNHA, C. M.; VERÍSSIMO, M. O TRABALHO DAS PROFESSORAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL E DAS EDUCADORAS DA INCLUSÃO ESCOLAR. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 32, n. 2, p. 128–143, 2023. DOI: 10.35699/2238-037X.2023.45394. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/45394. Acesso em: 28 fev. 2024.

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